"Surfar é uma arte e há muitas linhas diferentes para desenhar em uma onda" Kelly Slater







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quarta-feira, 18 de maio de 2011

I Surf Alone! But...


O surfe anda meio sozinho ultimamente.

Os antigos bate-voltas de carro lotado viraram uma lenda urbana, ou praieira...

Esse domingo foi dia de surfe, já que o sábado tinha sido de trabalho. A esperança era de encontrar alguma coisa surfável no meio do frio da manhã. E como estava frio.

Sigo para minha praia predileta, da qual já encontrei os melhores mares da vida, assim como mares que não valiam a saída da cama. Chego a portaria do condomínio que da acesso a praia e penso, PUTZ, ESQUECI A PARAFINA! Não podia ser sinal pior.

Parei no shoppingzinho que tem no condomínio, com poucas esperanças de encontrar alguma coisa aberta, já que eram ainda 7 e meia da manhã. Paro na banca de jornal, e penso: - Todas as bancas de jornal na praia têm parafina... Aqui deve ter também! E tinha... Ainda bem!

Com a parafina garantida, agora era vestir a roupa e encontrar algumas ondas surfáveis. Coloco no último volume, Paradise City, uma versão do CD novo do Slash, que ficou animal. O riff é irresistível, chego a praia, e encontro uma galera se arrumando, todos em silêncio. O som bruto da guitarra de Slash acorda a galera, sorrisos logo despertam.

- Sou louco mesmo, algum problema?! Penso em voz alta dentro do carro.

Pulo rápido do carro e vejo altas ondas quebrando, nem espero muito, não há nada para ver, apenas sair correndo para surfar!

Pego minha roupa de borracha, visto, passo parafina na prancha, e ai na hora de guardar a chave num bolso que tem na perna da roupa, descubro que houve uma oxidação no zíper. Fico puto na hora, como pode! Tiro a roupa, bermuda e lycra, e muito frio!

Foram 4 horas de muito surfe, no meio do crowd da galera no píer. Mas mesmo assim, sobrou muita onda boa, o mar estava beirando a perfeição, ondas abrindo muito, direitas e esquerdas, incríveis!

Batidas e rasgadas nas paredes solidas que estavam lá, sem frescura entrando na bancada de areia. Irado!

O sol tímido não fazia com que o frio passasse, e a tremedeira logo me pegou, a solução era remar para todos os lados, assim, o frio ficava controlável, mas o cansaço acabou pegando.

O triste disso tudo é não ter ninguém ali no mar para curtir junto, para ver as manobras, para dar aquele grito insano a cada onda, a cada caldo. Mas tudo bem, ao mesmo tempo o surfe sozinho, nos faz aproximar com o “seu interior”.

Papo esquisito, mas é verdade.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A feiticeira.



Fazia tempo desde nosso último encontro, do qual a data me falha a mente. A ausência de simples coisas na vida, são como uma ulcera da qual você só percebe quando o problema já é grande, quando a dor é quase insuportável, ai meu irmão, é hora do remédio salvador e torcer pela cura!

Fazia tempo desde nosso último encontro. Há meses ficava a frente do computador estudando as ondulações para ver quando ela iria funcionar, e principalmente quando poderia estar lá para ver as maravilhas da natureza em formatos cilíndricos, perfeitos!

Fazia tempo que não a avistava de longe, em cima de sua pedra, fingindo não estar nem ai para o mundo, mas lançando de forma secreta todo o seu feitiço, não como uma sereia mas como a feiticeira que és.

A tempos as ondulações não quiseram combinar como meus horários de “escravidão” dentro da selva de pedra. Trabalho, trabalho e mais trabalho e lá as ondas estavas a chegar. Sofri diversos dias, a saudade estava absurda.

Nesse último final de semana, parecia estar tudo certo, o vento, o período das ondas, até estava otimista quanto ao tamanho. Boletins, sites, mapas, tudo estava ali, estava ansioso, logo vou dormir na noite fria de sexta feira. Antes, programo os relógios para as 5 e 10 da matina, surfista que é surfista acorda ainda de noite para ir atrás de suas amadas aquáticas.

Levanto no meio daquela preguiça básica, onde o diabinho sob o ombro tenta me convencer a continuar dormindo. Um Cala-boca de água fria na cara faz o diabinho voltar rápido para seu lugar. O otimismo invade o coração e a alma, vamos embora, é hora de surfar no meu antigo quintal.

Sozinho na estrada, procuro em meio de meus CD’s um que combine com esse momento, tento um, o som se recusa a ler-lo, procuro outro, e o mesmo acontece – as vezes meu som pode ser bem temperamental – na terceira tentativa eis que surge um dos melhores discos de todos os tempos, o Black álbum do Metallica. Nada poderia ser mais perfeito! Intersand Man a todo volume!

Chego á praia logo, eram 7 e pouco da manha, o sol dava um visual insano para a praia, meu coração estava explodindo, sai correndo do carro em direção do calçadão para ver minhas princesas, chego meio ofegante e logo vejo...

Elas... Não estavam lá...

O visual era de uma baia lisa, quase sem nada de ondas, apenas alguns marmanjos com seus Stand Up’s, tentando fazer algum exercício. Logo me vem aquele sentimento de decepção, não sabia o que fazer, não queria novamente ir ao Guarujá, ainda mais num sábado... Quando estava quase desistindo e voltando para casa, vejo sob o ombro uma série, humilde, mas com potencial para ser surfado.

Voltou correndo para o carro, pego a prancha, arranco a camiseta, tranco tudo e saio disparado para o mar. Corro por vários e vários metros, até o teleférico, de lá, água!

Chego ao fundo e percebo a verdadeira realidade, não tem onda hoje! E logo vem aquele papinho safado que sempre rola no outside, “Pô Brow, você tinha que ter visto ontem, tava perfeito”, droga, pensava!

Depois de alguns minutos de espera naquela manha fria, porém ensolarada vem uma série de três ondas, pego uma delas e logo vejo que pode ser bom, que nem tudo estava perdido.

Voltando para o fundo, olho sob o ombro e vejo lá longe a minha feiticeira, peço a ela um pouco de magia naquela manha, quem sabe uma onda para marcar o dia, e diminuir a saudades dos cilindros poderosos que apenas ela pode proporcionar.

Depois de uma hora e pouco, o feitiço chega em forma de água esverdeada, sem muito poder, mas linda, lisa, e abrindo, é essa, remo como um maluco, não posso perder-la, “rema, rema, rema!!!” e lá sigo por suas linhas, com uma batida poderosa na junção. Missão cumprida! Valeu a pena tudo!

Depois ainda viria uma esquerdinha, linda, perfeita, que prazer!

São nessas horas que mesmo quando o desespero bate, quando a visão não mostra nenhuma condição de ser feliz, a perseverança ou simplesmente um impulso pode mudar tudo, pode te proporcionar um momento mágico, que faça tudo valer a pena.

A volta a São Paulo, foi tranqüila, devagar, sem pressa de chegar, apenas pensando, quando voltar!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Snapper Rock’s – 1° Etapa do WT – Um olhar apaixonado.



Há de se dizer a verdade – sempre – o cara é imbatível mesmo quando não exibe a sua característica vontade de vencer.

Nesses últimos dias, mais precisamente desde o dia 26 de fevereiro até a madrugada de hoje, aconteceu na Austrália à etapa de abertura do World Tour 2011. Primeira parada na praia dourada de Snapper Rock’s.

Foi um campeonato estranho, devo confessar, já que grandes nomes não mostraram para que foram, caindo inesperadamente logo nos primeiros rounds, caso do local Mick Fanning que caiu no 3° fase do evento, colocando-se em um lugar de risco, já que o ranking desse ano tem muitas mudanças, uma posição como essa deve ser logo substituída.

Ainda tratando da estranheza causada pela falta dos grandes nomes do surfe, os classificados no 4° round, que dava passagem direta as quartas, eram todos garotos, incluindo o Grande Alejo, que falo logo mais. Vamos destrinchar o campeonato:

Subjetividade:

Snapper’s 2011, será marcada pela subjetividade.

Mesmo que o coração queria dizer que houve influência direta do julgamento dos juízes que acabaram beneficiando alguns, sortudos, devo tentar me apegar aos fatos, mais que o calor da torcida.

Ontem fiquei revoltado com 2 baterias, e com a sobrancelha em pé em outras.

A bateria que me levantou a sobrancelha foi entre Jordy Smith e Joel Parkinson, onde o sul-africano (Jordy) venceu na última onda, no último segundo, o “filho” da Gold Coast (local onde fica Snapper), com uma nota exata, suprindo a sua necessidade. Estranho, no mínimo.

Depois Taj venceu Mineiro.

O Adriano de Souza perdeu após surrar Taj por 28 minutos, perdeu por 0.12 décimos de pontos. O cenário foi parecido ao descrito antes, porém mineiro era detentor de duas notas 9 e pouco e, Taj precisava de uma nota do mesmo patamar. Em sua última onda, ele defere 4 incríveis batidas no lip da onda, porém todas iguais, contrariando um dos critérios mais exigidos hoje pelos juízes, variação de repertório, resultado, conseguiu sua nota também, quase exata. Mineiro encerra a melhor bateria do campeonato e amarga uma 9° colocação.

A que me deixou mais indignado, porém a que menos me causou algum tipo de amargura foi na bateria do estreante Alejo Muniz. Esse garoto do qual aposto todas minhas fichas, surfou muito, mas esbarrou também na subjetividade dos juízes, dessa vez o sortudo foi Jordy, do mesmo jeito que todas as baterias anteriores descritas.

Azar? Condução de resultados? Sentimentos envolvidos? Subjetividade é a resposta.

Alejo:

Alejo é um garoto nascido na argentina e naturalizado brasileiro. Surfa com tanta classe, tanto estilo, com tanta força que deixa esse humilde amante do surfe competitivo sem fôlego. Esse menino de 20 anos, me fez conectar todos os dias para assistir-lo, e quer saber, valeu muito apena as madrugadas viradas para ver-lo.

Estreou como um anônimo e já logo de cara mostra para todo mundo o que muitos já sabiam, veio para ficar e principalmente incomodar. Mesmo que não vá tão bem nas próximas etapas, Alejo terá tempo para construir uma carreira brilhante, e não duvidaria nada se o primeiro título brasileiro viesse dele.

Irônico ver um meio argentino, meio brasileiro vencendo pelo Brasil. No mínimo irônico, mas familiar...

Taj:

Taj é um eterno azarado. Essa também é a verdade. O Australiano mais que merece um título mundial, mas me arrisco em dizer que, enquanto Kelly esteja no circuito isso não vai acontecer, e se Taj não possuir a mesma longevidade do careca, provavelmente vai encerrar sua carreira sem a tão sonhada taça.

Foi disparado o melhor surfista do campeonato, único a parar-lo? O “insignificante” 10 vezes campeão do mundo.

Slater, até quando?

“Eu me diverti muito. Foi até fácil”, Kelly em entrevista.

Kelly Slater, 10 títulos do mundo. 46° campeonatos conquistados. Mais de 68% de aproveitamento em baterias. O que falar mais? Há ele esta com 39 anos e venceu o campeonato ontem.

Slater não surfou como de costume, parecia um cara normal, aproveitando as férias de verão. Entrava na água para surfar altas ondas sem se preocupar se arrastava consigo milhares de pessoas na praia, ou a íra de outros competidores que não agüentam mais ver a sua careca reluzente.

Assisti boa parte de suas baterias e a única bateria que vi um mínimo esforço, um traço longínquo de seu foco competidor foi contra Ace Buchan, onde destroçou uma onda com impressionantes porradas na crista da onda.

Na final tinha certeza que Taj iria vencer-lo, mas isso se deve a terrível intromissão da comissão organizadora que decidiu – na minha humilde opinião – adiar por algumas horas a fase final, terrível erro, que custou muito na qualidade de ondas.

Bom para o careca, que soube encontrar duas ondas medianas, e venceu Taj mais uma vez. Agora são 17 vitórias contra 7 do australiano.

Concluindo...

Snapper’s mais uma vez possibilitou um show de surfe, um show de emoções, fica a ressalva ao acerto do novo formato do campeonato, que trouxe mais confrontos incríveis.

Agora é esperar cerca de um mês para ver toda essa galera de novo em ação, em Bell’s Beach que nesse ano comemora seu 50° aniversário... Imperdível, até lá!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Chefe. A conta e a Saidera!

Foto tirada pelo meu Pai, que não surfa fisicamente mas que esta comigo em todas as ondas da vida.


Sábado de sol e praia é uma combinação incompleta, tem que ter onda!

Nos últimos tempos a escassez de ondas fez com que várias manhãs de sábado estivessem incompletas e quando isso acontece não tem muita coisa que pode ajudar. Afinal, nada com um surfe logo cedo para começar o dia.

A 10 dias cai finalmente num mar gostoso, com uma nova moça, no qual contei aqui (texto anterior), porém o surfe andava meio solitário. Faltavam os amigos, parceiros do surfe e vida, faltava dividir!

Gosto muito de ensinar aos meus alunos o valor da divisão. Talvez um dos símbolos mais interessantes da matemática para mim. Acalme-se, dividir não é igual a perder ou diminuir, é somar. Opa, não fique confuso.

Dividir um brinquedo com um amigo é ganhar um amigo. Soma.

Dividir um abraço é ganhar calor, amor. Soma.

Dividir um beijo é ganhar paixão. Soma.

Dividir as ondas é ganhar um irmão. Soma.

Dividir as ondas é algo que não acontece de forma provocada, não é sempre que é possível reunir pessoas queridas no mesmo dia, sempre falta alguém. Mas nesse caso ainda não é perder, é somar esperança que um dia todos os amigos surfaram juntos.

Dividir as ondas é algo que não acontece de forma provocada. Simplesmente acontece.

Pude dividir ondas com 2 grandes amigos nesse último sábado, em altas ondas que rolaram na minha querida “Riva”, ondas verde-água, que mais pareciam desenhos feitos por um talentoso artista em seus momentos de devaneios. Pura Imperfeição! Pura Perfeição! Puro Surfe!

3 companheiros que possuem um sangue azulado, salgado, finalmente estavam caindo juntos depois de muito tempo. Hoje, no ônibus (vide forno de rodas) enquanto ensaiava estas palavras, das quais não se parecem muitos com as escritas na mente, fiz um grande esforço mental para lembrar a última expedição ao litoral juntos, resultado, não lembrei.

Isso acabou ainda tornando mais especial. Acho que a muito tempo não sentia uma leveza tão grande em surfar. Acho que nas últimas “quedas” no mar, estava procurando muito surfar, havia uma necessidade, uma exigência por minha parte em pegar boas ondas, realizar manobras, tentar acertar-las, mas sábado foi diferente.

Finalmente entendi o que tanto os surfistas profissionais dizem: “quando me divirto os resultados aparecem”. Foi o que realmente aconteceu. Queria me divertir e com isso veio um surfe apurado, como fazia tempo que não executava, mas acho que isso não vem ao caso, não gosto de falar de mim, até por que, assim que as letras pipocam na página branca vem a imagem de um pescador, do qual ninguém acredita, ou seja, é melhor cortar a linha, guardar a vara de pescar e deixar o lindo “peixe” contar a história para quem não pode ouvir (ou ler).

Em quanto isso, porções e mais porções de ondas eram servidas em uma bandeja de prata diretamente entregue pelos garçons dos mares, funcionários de Netuno e nossos melhores amigos.

“-Trás mais uma!”, gritava um de vez enquanto: -““ Chefe?”Esqueceu de nós? Oh campeão não faz isso”... E logo elas chegavam e a alegria tomava conta do rosto e os músculos ardiam.

Mas nem tudo é maravilha, logo o vento chegou e atrapalhou tudo. Em uma analogia é algo como um garçom em um bar chegasse e te falasse. “amigo, acabou a cerveja gelada, serve fria?”

Chegada a hora de sair e sentar um pouco na areia, embaixo de um guarda-sol e preparar-se para ir embora. Opa, ainda não, depois de um tempo, percebi que não pedimos a saidera, e assim não da para encerrar a conta!

Voltamos para um mar já bagunçado pelo vento, porém elas continuavam lá, mais estavam disfarçadas, difíceis de ver e perceber as especiais.

O cansaço era um empecilho, assim que em um dado momento era hora: “- Chefe trás a conta e a saidera!”

Nunca fui bom no quesito de encerrar a conta, porém sábado era um dia especial, e a saidera foi uma das melhores do dia e de muitos outros dias. Valeu Chefe!

Sábado de sol e praia é uma combinação incompleta, tem que ter onda, para dividir e somar!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

De Volta.

A muito que não escrevo, acho que devo até ter perdido a “mão” da escrita. Mas existe um grande culpado nisso tudo, algo que intitulamos de férias!

Durante o ano não existe nada que eu almeje tanto, deseje tanto, queria tanto quanto um bocado de descanso justo, a tal das férias. Porém quando elas chegam, meu amigo, fico totalmente perdido no mundo, é tanta liberdade que acabo ficando preso dentro de mim. Irônico não?

Nas semanas que antecedem a chegada da maldita (férias), começo a traçar planos, nada muito programado, porém os desejos de fazer coisas que não consegui durante o ano, pipocam dentro da minha mente, e sabe o que acontece, nada disso da certo, seja por isso ou por aquilo, o que é seguro dizer é descansei muito, e sinto renovado para outro ano, ainda mais, depois desse último final de semana.

Uma coisa que não sabia, era que minhas férias estavam sincronizadas com as férias de Netuno ou Poseidon, sei lá qual é a mitologia que você prefere, mas o dono do tridente não quis saber de mandar ondas para os que curtiam as férias.

Por outro lado São Pedro estava generoso, tão generoso que rachou o solo de tanto sol e ainda castigou o país com chuvas insanas, mas tudo acaba chegando a um equilíbrio, graças ao chefão dos céus, ou do Olímpio, vai saber...

Esse final de semana que acabou ontem foi a prova que uma hora tudo se acerta, entrando em harmonia. E para minha doce alegria as ondas fizeram parte desse equilíbrio. Nada assim magistral, porém elas apareceram e ai meu amigo, foi hora de descansar a mente deslizando pelas ondas esverdeadas de nosso litoral norte de Sampa.

Além das ondas havia um ingrediente novo, uma descoberta a dois. Ela nunca tinha visto água na vida, e este que aqui escreve nunca havia conduzido uma “dama” ao seu primeiro banho salgado no paraíso.

Acho que depois de dois dias posso dizer que a simbiose que rolou é praticamente inquebrável. Já tive ótimas parceiras das ondas, mas acho que essa é aquela tal que dizem: Mágica!

Foram dois finais de tarde em praias diferentes, com por do sol incríveis, água quente e ondas que chegavam a meio metro de tamanho, com algumas séries um pouco maiores. Ela me entregou seu cartão de visitas logo no primeiro dia: Incrível.

Na segunda “queda” no mar, pude sentir o real potencial da moça e quanto prazer ela podia me proporcionar. O que provavelmente renderá outros textos.

Um final de semana que foi para quebrar o marasmo desse verão insano, de muito calor, chuvas perigosas, catástrofes espalhadas e do tédio que teimava em aparecer o tempo todo.

Como é bom viajar, curtir os amigos, ir a festas estranhas com pessoas esquisitas e surfar boas ondas.

Vamos lá, agora é hora de arregaças as mangas e trabalhar para poder curtir ainda mais a vida!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Um novo campeão.



Uma vitória improvável de um garoto incrível.

Uma vez, em um momento crucial de sua carreira, ele disse em aberto para o mundo ouvir logo após de perder uma bateria de forma bem estranha o seguinte para os juízes: “talvez eu deve-se nascer de novo, talvez devesse ser australiano ou quem sabe americano e ai sim, me levariam a sério”.

Ele não nasceu em nenhum berço do surfe tradicional, porém nasceu em um paraíso, tanto de paisagem como de ondas. Ilhas Reunião é sua casa natal, a bandeira vermelha, branca e azul de Napoleão é sua bandeira. Seu nome, Jeremy Flores.

Jeremy é um Young Gun da Quicksilver. É uma das maiores apostas do surfe, mas como ele mesmo desabafou, não é australiano, não é americano, não tem mídia, a verdade, ele esta junto de um monte de surfistas de 2° escalão para vendas e para as revistas.

No Brasil Jeremy tem um pouco mais de atenção, já que é namorado da Top Bruna Schmitz e principalmente fala muito bem o português, assim, acabou sendo acolhido pela mídia brazuca, mas nada demais também.

É difícil ver-lo estrelando alguma coisa, esta em quase todos os filmes de surfe, principalmente produzidos pelo seu patrocinador, porém, sempre foi um coadjuvante.

Assistindo o último campeonato do ano, vi o francês pegar um tubo impressionante, caíram a sua frente 3 sessões e o tubo fechou a sua porta de saída, Jeremy simplesmente dinamitou a saída, abriu seu próprio caminho, saiu de algo que não havia saída. Na hora gritei, “isso é um 10”, mas não foi, algo na casa dos 9 pontos. Occy o lendário touro disse, na cabine de transmissão: “Ei, só o Slater tira notas 10? Qual é???”

Jeremy foi passando baterias, pegando diversos tubos nota 10, mas nunca veio. Mas os 9 pontos que ia tirando foram lhe levando para um confronto, onde havia apenas um favorito. O Francês pegou na semifinal o alien Slater.

O resultado estava defindo. Mais uma vitória do americano 10 vezes dono do mundo.

Errado!

Em um erro crucial do careca (raro de acontecer) deixou uma onda passar a menos de 1 minuto do final, dito e feito, la veio mais um 9 e uma final inédita.

Jeremy Flores atropelou seu adversário na final, e consagrou-se o primeiro europeu a vencer o Pipemasters.

O campeonato rolou em homenagem a Andy Irons, e seria irônico demais o Careca vencer, acho que A.I. surfou junto com Jeremy e lhe presenteou com altos tubos, o 10 não veio, mas tenho certeza que nesse momento o jovem garoto de apenas 22 anos, deixou de ser apenas um coadjuvante, tornou-se uma estrela, um vencedor do maior campeonato de surfe que existe.
Quem sabe um dia, para ser o melhor do mundo não se precise ser australiano ou americano (some os havaianos) quem sabe ser francês ou brasileiro, até japonês... sei lá, que a política não influa tanto, e sim, os melhores tubos e manobras.

Parabéns Jeremy Flores, agora você não é mais um Young Gun...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pipe Girls!

Stephanie em um tubão em Pipe - Fonte ASP.

Lá longe, em 2002 começou um sonho para as meninas. O filme americano chamado The Blue Crush, aqui no Brasil renomeado de A Onda dos Sonhos, conta a história de uma Havaiana que havia ganhado quando pequena o título nacional, porém depois de um trauma na maior onda e mais perigosa do mundo, Pipeline não conseguia desempenhar mais todo o potencial que tinha.

O filme é fraquinho, como todos os filmes dramáticos atualmente, mas mostra de forma escancarada a diferença das meninas e dos meninos quando o tema é surfe.

Ontem um feito histórico aconteceu no Havaí, finalmente colocaram as meninas na água, em Pipeline, para uma final da Tríplice Coroa Havaiana. Não foi um campeonato inteiro, foi apenas uma bateria, mas pelo menos as meninas puderam desfrutar de uma estrutura absurda e de um mar beirando a perfeição.

Deixa explicar melhor.

O campeonato masculino é dividido em 10 eventos, disputados em 10 lugares diferentes, com o encerramento no maracanã do surfe, Pipeline, Havaí.

O campeonato feminino é dividido em 8 eventos, e o último é em Haleiwa, Hawaí (?).

Isso por que existe ainda um pré-conceito terrível sobre as meninas. Muitos acreditam que elas não são capazes de surfar Pipe. Papo para boi dormir.

A verdade é que os mocinhos havaianos tem é medo de uma invasão da mulherada para dividir o Line-up (linha de espera para as ondas), e ainda por cima pegar as melhores ondas.

Ontem, 4 meninas tiveram a oportunidade de mostrar para a rapaziada e para o mundo, essa “falta de capacidade”. Stephanie Gilmore (4x campeã do mundo), Tyler Wright (15 anos), Coco Ho (Filha do lendário Michael Ho) e Alana Blanchard (musa do surfe mundial e classificada para o WT feminino de 2011).

Elas pegaram altas ondas, colocaram para baixo em todas as morras que vinham e muitas vezes eram nocauteadas dentro de tubos cavernosos. Mas elas sabiam a importância de uma apresentação de gala, sabiam que não podiam mostrar medo. Por que essa onda mete medo em qualquer um.

Era hora de mostrar para os homens uma vez por todas que não existe diferença, meninas e meninos no surfe ou qualquer outro esporte. Somos iguais, assim como em qualquer esfera de nossa sociedade.

As vezes fico impressionado como ainda “estamos” nessa onda de pré-conceito.

Não tenho certeza de quanto é o prêmio para o 1° colocado do Pipemastes (evento masculino), mas acredito que gire na casa de 50 a 100 mil dólares. Ontem a Stephanie GIlmore que venceu mais uma vez (diga-se de passagem), levou um cheque de 10 mil, um absurdo!!!

Tá bom, alguns diriam, 10 mil dólares para 30 minutos de trabalho, esta bom demais, ok, olhando por ai até acredito, mas você despecaria de uma onda de 2 metros e pouco, sabendo que a profundidade do mar não chega a 1 metro, e ainda o fundo e feito de coral afiadíssimo?

Os eventos diferentes, as premiações diferentes, tudo é diferente, tudo para elas é inferior e devia ser o contrário.

Elas merecem muito mais e provaram ontem para todos que estavam ali, parabéns meninas, continuem embelezando as ondas, trazendo um pouco mais de tranqüilidade para o fundo do mar, acalmando os marmajos que gostam de brigas... E principalmente continuem essa busca por mais espaço, afinal de contas, é muito mais gostoso assistir as melhores ondas do mundo sendo surfadas pelas melhores meninas do mundo!



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Fênix?

Raoni sendo carregado ao podio (detalhe, um deles é o Neco, incrível surfista brasileiro apaixonado)


Em 1991 eu nem fazia idéia o que era surfe.

Mas tinha um “cabra arretado”, que mandou ver nas perigosas e densas ondas de Sunset Beach no Havaí. Foi o 1° e último brasileiro a vencer em águas havaianas... Opa espera ai um segundo, ERA até então o último.

Ontem o feito se repetiu. 19 anos depois um brasileiro volta a vencer em águas havaianas, o mesmo campeonato que o “cabra arretado” havia embolsado a tanto tempo atrás.

Nomes aos bois:

Cabra Arretado = Fábio Gouveia, ídolo brasileiro no surfe.

Brasileiro que voltou a vencer: RAONI MONTEIRO!

Assistindo as últimas baterias do campeonato, via o carioca, local de Saquarema destruir as ondas e assim ia passando as baterias, mas os locutores gringos não apostaram nem se quer um centavinho no brasileiro.

A final foi entre Julian Wilson (grande promessa australiana), Josh Kerr (ex-top WCT que conseguiu voltar a elite depois do evento), Granger Larsen (Havaiano) e Raoni (que também já fez parte da elite mundial).

Mas antes de falar da final, falemos um pouco de quem é Raoni Monteiro.

Raoni hoje tem 28 anos, mas quando o vi surfar pela primeira vez, a longos 8 anos atrás, no Surf Adventures I fiquei impressionado.

O Carioca era o cara mais Power e mais Radical de todos, tem uma patada inacreditável, algo meio Neco Padaratz, só que mais atual, moderno. Talvez por ter sido lapidado na incrível onda de Itaúna.

Possui-a um grande patrocinador (Rip Curl) por trás de sua carreira, o que lhe rendeu grandes viagens e filmes, porém essa parceria termina de forma estranha, quando Raoni perde no Havaí sua chance de continuar na elite do surfe mundial, o WCT.

Abandonado.

Depois vem uma lesão forte no joelho, operação e um bom tempo de molho. Ai vem as dúvidas, será que ainda dá, será que é o fim???

Casado e pai de uma filha, o surfe profissional pode ser ingrato, até mesmo para aqueles que não merecem. A um tempo atrás escrevi sobre uma competição da divisão de acesso realizada na Cacimba do Padre em Fernando de Noronha, onde Raoni fez a final e venceu. Na entrevista, exibia uma prancha toda branca, sem nenhum adesivo de patrocínio.

Hoje Raoni integra a marca internacional O’Neill, mesmo patrocinador do futuro campeão mundial Jordy Smith.

Bom voltando a final.

Raoni estava em 4° lugar na final, faltando poucos minutos para acabar a bateria, o brazuca encontra uma onda, a maior da série e arrebenta, primeiro com uma rasgada exibindo as quilhas para o mundo, seguindo de uma batida com 360° e uma porrada na junção a la Jõe “Smoke” Frazier.

De 4° lugar para o caneco tão sonhado. Ninguém mais poderia tirar o título que parecia tão improvável.

Confesso que não acreditava, torcia, mas achava difícil sei lá por que, talvez por que eu seja um baita de um pé frio, sempre que torço para alguém esse alguém perde, ontem foi diferente, ainda bem... Sorte do Raoni.

De quebra, além de escrever seu nome na história do surfe mundial, Raoni volta para a Elite mundial e se junta a Adriano, Jadson e Heitor (re-classificado esse ano), formando o quarteto mágico para 2011.

Mais legal de tudo foi ver o carioca antes do pódio, dando um beijo em sua mulher, nitidamente emocionado atrás de um óculos escuro (coisa de patrocínio), e depois contestando o locutor, falando que apesar de ondas pequenas ele havia surfado bem, Raoni, um verdadeiro campeão lhe responde (algo do gênero):

“Independente do tamanho do mar, o talento de todos os surfistas é o mesmo, as condições são as mesmas” faltou apenas dizer: O CANECO É MEU!

Parabéns Raoni e vai com tudo rapaz.

PS: Quem ainda tem chances de classificação é o filho de argentinos, Alejo Muniz, esse moleque é impressionante, tem um estilo inacreditável, algo como um Joel Parkinson brasileiro, mas depende de tropeços importantes de alguns dos tops na última etapa em Pipeline. Vamos torcer... Ou melhor, zicar os caras (rsrsrs)... Mick Jagger neles!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A morte de um campeão.



Depois de um final de semana prolongado por conta do feriado, tinha montado todo um texto na minha cabeça, afinal, dentro de tantas coisas boas nesses últimos dias, tive experiências no mar que valiam demais um texto, tinha até o título pronto, porém, algo difícil demais de entender aconteceu ontem, terça-feira, dia 2 de novembro, dia de finados, dia que um ídolo foi embora.

A pouco tempo escrevi um texto intitulado de “A volta de um campeão”. Esse texto contava o retorno ao lugar mais alto do pódio de um tri-campeão mundial de surfe, que após um tempo afastado das competições tinha alcançado mais uma vitória no circuito mundial, onde ele não acreditava que conseguiria, ainda mais tão cedo.

Esse cara, chama-se Andy Irons. Um havaiano, que apesar de ter um dos surfes mais bonitos de todos os tempos, era um animal quando se tratava de competição, tanto que foi o único adversário verdadeiro que o maior de todos os tempos, Kelly Slater teve, e este ainda reconhece que todos os confrontos e a convivência o fez ser um melhor ser humano.

Andy sempre teve uma imagem conturbada, afinal tinha posto em cheque a posição de melhor do “queridinho” da mídia mundial, não que Slater não o merece-se por que não creio que haja nesse mundo alguém que surfe e compita melhor que o mesmo. Porém Andy mostrou ao mundo que o Alien careca não era imbatível como se pensava, e isso incomodou muita gente.

Após o tempo que ficou afastado, o rebelde e impulsivo Andy deu lugar a um cara sereno, um cara com uma humildade incrível. Andy em suas entrevistas sempre falava que havia reencontrado o caminho da felicidade, tinha reencontrado o prazer de surfar e de competir, porém, seus olhos mostravam uma besta muito mais calma, afinal, ele já não era aquele jovem agressivo, ele agora era um sujeito de 32 anos, esperando para ser papai.

Sua mulher estava no 8° mês de gestação, era um menino. Andy havia conquistado uma vitória no ano, estava bem ranqueado no circuito neste ano, estava em forma, e principalmente esbanjava uma alegria contagiante. Mas isso se foi, e se foi tão abruptamente que ninguém consegue entender.

Andy tinha competido em Portugal, a última etapa disputada até então. Enquanto todos os surfistas da elite mundial seguiram para Porto Rico, o havaiano apresentava um quadro de virose. Mesmo assim foi para Porto Rico disputar a penúltima etapa do ano, mas lá ficou ainda pior.

O surfista desistiu da competição, apresentava um quadro tenso, estava mal demais. Os médicos disseram que ele estava com dengue, e assim, Andy resolveu ir para casa, o Havaí, mas ele nunca mais veria sua ilha mágica.

Andy morreria em um quarto de hotel, sozinho, longe da mulher, longe da família, longe dos amigos.

Aparentemente Andy contraiu uma dengue hemorrágica, e foi encontrado morto em sua cama com alguns frascos de remédios em seu criado mudo. Alguns médicos dizem que ele pode ter sofrido uma overdose de remédios, porém, não é bem assim. Os remédios estavam para ajudar-lo a enfrentar a dor que esse tipo de dengue apresenta.

O motivo da morte de Andy não será revelado tão cedo, pelo menos teremos que esperar entre 2 a 3 meses, que sairá o laudo da autopsia.

O que nos resta é relembrar o sujeito que foi, lembrar de seu surfe, de suas palavras, de seus títulos, e assim torná-lo inesquecível no mundo do surfe e em todo o resto.

As vezes me surpreendo como podemos ficar abalado por sujeitos que nem conhecemos, mas o que um amigo me falou é verdade. Como amo tanto o surfe, acompanho tanto os campeonatos e os surfistas é impossível não se envolver e fazer parte, pelo menos um pouco da vida do cara e ele da sua.

A verdade que fiquei sem reação quando vi a notícia na TV. Simplesmente não acreditei e para ser sincero, ainda não acredito muito.

Espero que nesse momento Andy esteja surfando altas ondas no paraíso, e que seu filho tenha todo o carinho do mundo, e que as pessoas que o cerquem contem a ele tudo que seu pai representou no esporte e na vida de tanta gente espalhada pelo mundo.

Vá em paz, campeão...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Um Sonho!?

Acordo cedo, abro a janela e vejo o sol surgindo de trás da montanha, levanta-se devagar, sem pressa, afinal, o mundo continua a seus pés. De pouco em pouco os raios dourados começam a invadir meu quarto e logo iluminam minha parceira, que esta reluzente, pronta para encontrar-se com seu maior amor.

Inspiro-me no sol, levanto sem pressa, passo pela cozinha, pego uma caneca com chocolate quente, ainda com o cobertor envolvendo meu corpo adormecido. Entre um gole e outro vejo o vapor denso que sai de minha boca misturando-se com a brisa gelada da manhã. O sol está ainda saindo, e através das curvas das montanhas vejo, lá trás, elas, as ondas.

Vejo que ainda paira uma névoa dourada sob o mar, porém as ondas já estão quebrando forte, e sem nenhum vento. As ondas caprichosamente quebram sobre as rochas, que nessa manhã não possuem aquele ar amedrontador de todos os dias, hoje, elas apenas servem como rampas para as ondas subirem e formarem paredes simplesmente perfeitas e tubulares.

Estas águas possuem uma cor azul límpida, quase transparente, mas nessa manhã, quebram douradas, como a estrada mágica de mago.

Acabo meu último gole, coloco minha roupa de borracha, pego minha prancha e desço pelas escadas de madeira, um ruído típico de um degrau solto ecoa, olho para trás e ninguém se incomoda.

Descalço, sigo meu caminho pela grama alta e molhada. O sereno ainda esta presente em todas as folhas, dando um ar ainda mais belo a paisagem. Os campos ou vez de verde escuro possuem um tom esbranquiçado nesta manhã.

Aos poucos a vegetação começa dar espaço aquela areia densa, de textura rugosa e fria, desvio de pedras e piso em conchas quebradas, nada me incomoda, sento na areia por alguns instantes, para apenas apreciar as ondas quebrando sozinhas, levanto-me e vou a direção das pedras, para poder pular lá de cima já atrás das ondas.

O sol esta um pouco mais alto, não faço idéia de que horas são, simplesmente não importa, estou sentado sob meu tapete mágico, apenas admirando, esperando a minha série desembarcar. Logo surgem os rabiscos divinos no horizonte, sei que elas vêm em minha direção, o coração começa a palpitar.

Deito sobre a prancha, e dou algumas poucas remadas, porém, fortes. Logo sinto as gotículas de água salgada batendo sobre meu rosto, estão frias e me fazem sentir vivo. Em um movimento esperto estou de pé deslizando naquela parede agora escura, pela sombra dela mesma. Uma mão desliza rompendo aquela parede, que foi solida.

Acelero. Vejo a frente uma sessão, é lá – penso – e projeto toda a minha força e destreza, acertando uma forte manobra sob o lip que vinha a quebrar, em seguida, uma curva forte, e outra forte manobra. A onda parece gostar, meu coração também.

Saio da onda, e volto novamente ao fundo, a água esta azul, as sombras sumiram.

Outros e mais outros rabiscos se formam consecutivamente, apenas para mim, e assim, por toda a manha surfo. Estou, sou, livre.

Saio do mar, e sigo colina acima, a grama já perdeu a sua coloração branca, já exibe seu forte verde escuro e também não esta mais fria e molhada, esta seca e morna. Chego a velha escada de madeira, encosto minha prancha sob a velha sacada, tiro minha roupa de borracha.

Enrolado com uma toalha sobre meu corpo cansado, saboreio um café quente – na sacada que leva a velha escada de madeira – que parece saber o quanto é gostoso e o quanto trás de calor ao corpo, um calor físico, por que o calor da alma, este ferve.

Fecho as cortinas, mas ainda há uma tênue luz pairando em meu quarto, deito-me e sinto cada parte de meu corpo relaxar, logo durmo.

Acordo de repente, meio assustado, em minha cama, em um domingo qualquer e percebo que chove forte e que o mar não esta perto.

Logo realizo que foi apenas um sonho e me aconchego novamente meio decepcionado, porém logo um pensamento me toma a consciência, este, me tranqüiliza, mas ao mesmo tempo me impede de dormir rapidamente.

O pensamento era de que pelo menos, nesta noite, minha alma surfou como talvez meu corpo nunca surfe. Prontamente tentei induzir minha mente a aquela sensação de paz que sentia no meu sonho, e durmo novamente, com um sorriso no rosto, meio amassado pelo travesseiro da realidade.

sábado, 4 de setembro de 2010

A volta de um campeão.

Ontem tive o prazer de assistir ao vivo incrível retorno de um campeão. Não sei por que, mas essas coisas que, apenas acontecem no esporte, me instigam, me emocionam de verdade.

Ontem, o esporte em questão era o Surf, e o campeão, ou melhor, o tri-campeão era o havaiano Andy Irons, que estava afastado das competições por quase 2 anos e acabou retornando esse ano por um convite da associação de surfe internacional.


Ele sempre foi tido como vilão pela mídia especializada por ter sido o único cara que incomodou o rei dos mares Kelly Slater, e como em todas as histórias de mocinhos e vilões, acabou sobrando para o vilão o rotulo de mau e principalmente de inimigo.


Lembro-me que na época, era totalmente a favor do mocinho, e realmente achava que o vilão era vilão, mas hoje devo dizer que foi manipulado pelas revistas, pelos cronistas e por tudo que saia a respeito do surfe. Principalmente por que Andy é um cara normal, é um de nós, sujeito simples, com problemas e dificuldades, mas acima de tudo, é um sujeito incrível.


Quando Andy se afastou do circuito mundial, fez algo que ninguém esperava, convidou seu rival (Slater) para fazer uma viajem pela indonésia, o que rendeu um filme, chamando “A fly in the champange” que é muito bacana por sinal. E a partir da-li a mídia não teve mais o que escrever sobre eles, afinal, os arqui-rivais tornaram-se amigos.


Esse ano, Andy estava de volta as competições, mas seu surfe estava diferente, mas fraco, menos radical, talvez ele estivesse com menos fome de vitórias, e lógico toda a inteligente mídia do esporte, deu Andy como morto, um EX-TRICAMPEÃO mundial. Palhaçada, eu diria.


Andy foi se alimentando, a cada competição, foi entrando em forma e nesta última etapa com fome de vencer.


Mas Andy mudou, não é mais um garotão havaiano, cheio de ímpeto, Andy além de mais maduro se mostra muito mais humilde, muito mais consciente que esta com 30 e poucos anos e que sua carreira começa a chegar perto de um desfecho (apesar que creio eu que possui muitos anos ainda pela frente).


Em uma entrevista antes de começar o evento de Teahupoo no Taiti, ele comentava sobre seu ano no circuito mundial, quando uma frase me marcou. Ele se referia a possibilidade de ganhar mais uma vez. E ai ele diz algo do gênero: “Queria poder vencer mais uma vez, mais um campeonato e sentir aquela energia, sentir as pessoas gritando por você, o que para mim é o maior elogio de todos, só de pensar que levo algo para as pessoas através do meu surfe, me deixa louco”.


No final dessa entrevista ele tem um olhar diferente, e termina falando que se não conseguisse vencer novamente, estava tudo bem, mas o que o deixava realmente feliz era a possibilidade de estar de volta ao circuito mundial.


Esse olhar diferente me chamou muito a atenção, pareciam transmitir algo através de olhos tristes, pareciam estar escondendo uma fera, um monstro, que na hora me fizeram associar com o último filme de Rocky Balboa, no qual Rocky diz que ainda tinha uma fera dentro dele. Que precisava de mais uma luta, a última.


Engraçado que sei muito bem o que Andy queria dizer. Por que passei por isso a um tempo atrás, quando tentei voltar a remar, mas comigo a vitória não veio. Mas a adrenalina de estar competindo fez acalmar a besta que tenho dentro de mim.


Pois é, para Andy a vitória que ele tanto desejava veio ontem, em Teahupoo, com maestria, vencendo Slater nas semifinais, e com direito a muita alegria de todos que estavam lá assistindo.


A volta de um verdadeiro campeão, que agora mais que nunca consigo reconhecer, e vibrar a cada onda, e não mais torcer contra, como quando mais novo. Força Andy, que essa vitória seja o começo de uma caminhada que possa ser recompensada com um 4° título mundial.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Surfe no asfalto.



Os tempos têm andado exigentes comigo, muito trabalho, pouco tempo livre e nada de ondas. A abstinência da água salgada já perdura por 2 semanas, e as previsões nada animadoras deixam ainda mais o coração apertado e a pele ressecada.


Essa abstinência pode ser mais um motivo pelo qual hoje acordei destruído, com febre, muita dor no corpo e uma sinusite devastadora causada ela estiagem que castiga a cidade de São Paulo, que marca menos de 20% de umidade relativa no ar. Tenso.


Mas nem tudo é desespero. Nesses últimos finais de semana tenho trabalhado na Oca, no parque Ibirapuera, representando uma das escolas que trabalho em um estande muito legal (vale a pena conhecer e visitar também a exposição Corpos em Movimento que é sensacional). Mas olhava para o parque e pensava, queria estar livre para aproveitar um pouco isso tudo.


Nesse último domingo, tomei coragem e resolvi arriscar. Acordei cedo para trabalhar e ao tomar meu café da manhã penso comigo mesmo, e se levasse um skate para o parque, será que conseguiria aprender algo? Ou será que me mataria?


Não sei bem o que me deu, mas quando descia a rua de casa para ir ao ponto, o skate estava na mão. Ainda bem que meu amigo que esqueceu a tempos em casa, por que ainda não possuo um. Mas quem sabe.


Quando chego ao Parque, estava na hora da verdade, coloco o skate meio tímido no chão e subo nele ainda meio sem jeito, coração a mil, adrenalina total e medo de me arrebentar. Aos poucos tudo isso vai passando e dando lugar a uma sensação gostosa de prazer. Logo encontro uns declives no Parque, dos quais me imaginei surfando, tentando fazer cavadas no asfalto.


Chega, hora de trabalhar, me dirijo a Oca e 6 horas e meia depois... Saio da Oca e resolvo andar mais um pouco, já estou sem medo, apenas receoso, para não cair e me machucar, afinal, estava sem nenhum tipo de proteção.


Achei uma descida legal, desci e senti a velocidade, vento na cara e também que o eixo do skate com velocidade mexia e desalinhava dando a sensação de andar de lado, a La caranguejo. Medo.


Já vou tomando meu rumo para casa, quando vejo a Av. Brigadeiro Luis Antonio vazia, e não deu outra, skate de novo no chão, e passeio livremente pela pista.


Depois de uma tarde dessas, de quando enfrentamos nossos medos, o que vem depois é uma sensação de liberdade incrível.


A verdade que surfei pela primeira vez na cidade grande, e a sensação é muito boa, não acredito que seja a mesma sensação de surfar nas ondas, mas esse surfe de asfalto me fez bem, e me deu a liberdade que necessitava para tocar a semana, mas quem iria saber, que 2 dias depois acordaria mal e tivesse que ficar “de cama”, vai ver que foi muita emoção... (rsrsrs).

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Bustin Down The Door


Rabbit, Mark e Shaun.

A idéia de mudança esta sempre presente em nossas mentes, mudar, construir algo novo, otimizar o já existente, melhorar, proporcionar uma vida melhor para as pessoas que estão próximas, ou simplesmente, mudar para viver um sonho.

Mudar traz problemas. Mudar traz desconforto. Mas mudar também pode trazer prazer e realização. Mudar pode trazer consigo sorrisos, gargalhadas, mas também, lágrimas de quem sofreu, por um sonho, por um ideal.

Essa história é de 3 rapazes que optaram por mudar e por viver intensamente seus sonhos. Este clã formado por 2 australianos e um sul-africano quebrou barreiras, incomodou muita gente e com certeza mudaram muita coisa, afinal eles criaram um esporte chamado Surfe.

Até então, o surfe estava perdido. Perdido por que não pertencia a nada, era uma tribo independente, mas que também não fornecia muito ao mundo, pensando quem no final dos anos 60, tínhamos comunidades como a dos hippies que lutavam pela liberdade, e defendiam seus “amigos” convocados para mais uma estúpida guerra norte-americana (Vietnã).

Os surfistas alienados eram um conjunto de diversas tribos, porém o que mais tinham, ou que forneciam era a liberdade associada com a natureza. Mas mudanças estariam por vir.

Dois australianos começaram a destacar-se em suas ondas nativas, um deles era Wayne Bartholomew, conhecido como Rabbit. O outro, era Mark Richards. Ambos possuíam uma nova forma de surfar as ondas, tinham em seus corações uma atitude nunca vista até então no coração de um surfista, eles simplesmente eram mais que simples surfistas, eles eram os melhores.

Ao descobrirem que era no Havaí que estavam as melhores ondas do mundo, logo, arrumaram uma forma de irem para lá. Uma forma por que não eram cheios de grana, muito pelo contrario, Rabbit tinha uma experiência de vida, muito comum de países de 3° mundo, porém, ele com uma família de várias irmãs e sem pai (separado), era o homem da família, e até roubar para alimentar-la ele fez. Errado, mas quem sou para julgar...

Entre idas e vindas, a primeira temporada no Havaí chegou. Mark e Rabbit logo se juntaram ao sul-africano, que talvez possuísse um dos estilos mais bonitos da época. Shaun Tomson.

Era 1974. A mudança começava.

Eles queriam apenas uma coisa, serem os melhores do mundo. Porém o surfe ainda não era um esporte profissional como o de hoje em dia, o surfe era surfe, sem propósito, sem responsabilidade, era apenas o que cada um fazia dele, era apenas surfar ondas, mas não para eles.

No Havaí, naquela época começaram os primeiros torneios, um deles era para homenagear Duke Kahanamoku, o pai do surfe havaiano. E o outro torneio era o Smirnoff Pro.

Os três destemidos garotos quebravam as ondas, a realidade é que mesmo os melhores surfistas havaianos não chegavam aos pés dos 3, era incrível a velocidade, a radicalidade, e a atitude daqueles moleques gringos, porém, nada disso era relevante, já que, para competir nesses torneios, necessitavam ser convidados.

Eram apenas 24 convites, e todos para surfistas havaianos.

1975. A mudança chegava.

Um convite para o grupo foi dado. Mark Richards era o escolhido, porém, o preço a pagar era de 50 dólares, dos quais, Mark não possuía nem um. Nesse momento, Rabbit, diz “eu tenho”, mas não para ele. Rabbit coloca Mark na água. E este vence quase todo mundo. Logo de cara.

1976. Mudou.

Nesse ano, todos os meninos estrangeiros entram nas competições havaianas, e entre eles, vencem tudo. Mark vence o Smirnoff Pro, Rabbit o campeonato em homenagem a Duke, e Shaun Tomson, vence o Pipeline Masters (que existe até hoje).

Acabou, os gringos dominaram o Havaí. Chegaram e mesmo sem serem chamados Derrubaram a porta da frente. Ficaram famosos, não tinham um titulo mundial, até por que isso ainda não existia, porém ganharam o que tinham para ganhar. Fama, reconhecimento e entrevistas polêmicas começaram a acabar com o conforto deles em terras estrangeiras.

Rabbit e Shaun, fizeram muito sucesso e falaram muito, na qual refletiu mal entre os locais havaianos, até o ponto de que eles estavam banidos das praias, não podiam surfar mais lá.

Bom, até que era “correto” a postura havaiana, afinal, era um país que foi tomado pelos americanos, seus costumes estavam desaparecendo, as poucas coisas que sobravam eram as ondas, das quais esses caras também estavam dominando, e ainda, falaram para quem quisesse ouvir que eles eram os melhores, eram os “números 1”.

Porrada! Ponto. Essa foi a solução. Ameaças de morte, perseguições, colocaram tanto medo, que ambos tiveram que se esconder na ilha. Não podiam fazer nada, sair é perigoso demais.

Mudar é perigoso, mas naquele momento, era enfrentar a situação ou então um sonho morreria.




Mark Richards

Eddie Aikau surge.

Esse nome tem muita história dentro do surfe. E que não sabia era desta história que conto agora:

Eddie encontra Rabbit que a dias dormia dentro de um bosque perto da praia, sem banho, sem comida, sem nada. Eddie o leva até um hotel prometendo-lhe resolver todo esse enorme problema.

3 dias depois, Rabbit desce do quarto do hotel com Eddie até uma sala de reuniões, lá ele encontra seus dois amigos, Shaun e Mark e mais umas cento e poucas pessoas, loucas para lhe arrancar o couro com uma colher. Era a morte certa.

Eddie consegue colocar todo aquele nervosismo em uma discussão racional, da onde chegasse ao ponto que todos os estrangeiros percebem seus erros, percebem que deviam mais respeito, que deviam entrar em sintonia com tudo aquilo. Mudar sim, mas respeitando a cultura de um país que eles não compreendiam.

A verdade é que Rabbit e seus amigos morrem aquele dia. Não fisicamente, mas aquela repressão de alguma forma, mata um pouco de seu espírito, de sua atitude nas ondas. Mas pelo menos, o ar ainda entra em seus pulmões até hoje.

No final dos anos 70.

Finalmente o sonho dos 3 acontece. Surge um circuito mundial. Em seu primeiro (1976) ano Peter Tomnend outro australiano vence por conseguir uma regularidade incrível, porém o segundo ano (1977) é vencido por Shaun, confirmando seu sonho.

Ano seguinte (1978) a vitória de Shaun, é a vez de Rabbit vencer, comprovando que tinha realmente nascido para ser o melhor do mundo. E depois, já com uma nova revolução de pranchas, Mark Richards com sua bi-quilha inicia um longo domínio, vencendo 4 vezes consecutivas o circuito mundial.

Não há volta.

Depois de Rabbit, Mark e Shaun, o surfe nunca mais foi o mesmo. Eles derrubaram a porta da frente e enfiaram goela abaixo seus sonhos, o sonho era fazer o surfe ser esporte e que seus amantes e seguidores pudessem viver disso. Naquela época a idéia de viver do surfe era pagar as contas e ganhar pranchas novas de seus patrocínios, acho que naquela época eles nunca imaginavam que o surfe chegaria a cifras milionárias de hoje.




Shaun Tomson

Mudar.

Sempre temos vontade de mudar alguma coisa em nossas vidas, porém quase sempre arrumamos argumentos, muitas vezes extremamente convincentes para não fazer aquilo que realmente queremos. Mas acho que as vezes devemos derrubar a porta mesmo antes de sermos convidados, e simplesmente entrar em uma vida nova, mudar.

Mark, Rabbit e Shaun, colocaram suas vidas em risco por um sonho, por um sonho deles, algo que eles acreditavam, como mudar a cara do surfe e transformar-lo em um esporte. Mas quantas pessoas já lutaram e até mesmo deram a vida por uma mudança? Acredito que muita gente já o fez.

Não acredito que todos são dignos de proporcionar mudanças a humanidade, ou então, mudar completamente a forma de pensar sobre alguma coisa, mas você pode mudar, qualquer um pode mudar alguma coisa.

Assim, o que quero deixar depois deste longo texto é que mudar é possível, porém saiba que se você enfrentar todo o desconforto, os perigos, a dor, e o peso de mudar, com certeza o resultado final serão lágrimas, lágrimas por que naquele momento mais difícil em vez de fugir você levantou, estufou o peito, e disse: Eu vou mudar, eu acredito.


Wayne Bartholomew

“Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo”. Gabriel “O Pensador”.

Texto inspirado no filme “Bustin Down The Door” de Jeremy Gosch, inspirado em Wayne “Rabbit” Bartholomew e produzido por Shaun Tomson, de 2008.





domingo, 18 de julho de 2010

Bafana-Bafana Surf


Não me lembro de um campeonato de surfe, principalmente etapa do World Tour, ter sido realizada de forma direta sem nenhuma interrupção, como aconteceu agora na África do Sul. Terra de altas ondas em grandes surfistas do passado e do presente.


A verdade é que Jeffreys Bay já foi palco dos maiores confrontos da história do surfe mundial, primeiro, (que tenho conhecimento, por favor, conhecedores mais antigos, me ajudem aqui), os confrontos entre Occy e Curren, que marcaram gerações, o rei do estilo contra o touro indomável, tanto que houve em alguns campeonatos baterias especiais entre eles, sendo que Curren ganhou todas até o momento.


Mas hoje, após de dias de ondas clássicas, um local levantou o caneco, pois é! Uma das maiores promessas do surfe mundial ainda não havia tido a oportunidade, ou melhor, não havia ainda confirmado toda a expectativa criada sobre ele.


A verdade que muitas vezes na hora que o bicho pegava ele sumia, perdia baterias que não perderia se simplesmente tivesse mais calma, mas tudo bem, podemos despejar essas inseguranças em sua idade baixa, 22 anos.


O Sul Africano trouxe muita alegria aos fanáticos torcedores de sua terra, depois de surfistas como Martin Potter e Shaun Tomson, Jordy Smith junta-se a nata do surfe de seu país e do mundo.


Jordy surfou o campeonato como sempre surfa, com porradas insanas, velocidade e curvas fortes. Mas vou falar uma coisa, realmente não sou fã do surfe do grandalhão, pois é, muitos podem descordar, mas sou fã incondicionável do surfe com classe e estilo.


Tá tudo bem, o cara não é descoordenado, ou então um asno surfando, sim ele tem muito estilo, é calmo, mas não sei, talvez estilo não seja o verdadeiro motivo pelo qual vejo o surfe dele e penso: - É surfa bem né, mas....


Gosto muito mais do surfe do Dane Reymond, por exemplo, acho muito mais bonito de se ver, a radicalidade dos dois, é igual, mas tem algo diferente, uma postura talvez, ou então, uma postura corporal diferente, não sei bem, talvez seja simplesmente por que Jordy é alto pra caramba e parece um minhocão surfando.


Mas não podia ser mais justo nesse campeonato a vitória desse garotão, afinal, como o Jadson aqui, nada mais gostoso para aqueles que vão a praia ver o campeonato que um ídolo local levante o caneco!


Agora, uma coisa esta me deixando meio confuso, antes, era fácil perceber uma onda melhor que outra, o julgamento das baterias nunca foi uma certeza exata, mas, ultimamente anda bem estranho, sei lá, algumas ondas durante o campeonato foram ultra-julgadas e outras sub-julgadas, sei lá, não entendo muito de julgamento, e tenho como se pode ver nesse texto mesmo, preferências quanto a estilo e surfe, mas tem certas coisas que não mudam, e nesse campeonato, senti que alguns surfistas ficaram fora sem merecerem tal destino. Mas quem sou eu...


Parabéns a Africa do Sul, que depois de uma Copa eletrizante ofereceu um campeonato de igual magnitude, e dessa vez se pode dizer que os Bafana-Bafana venceram!



terça-feira, 13 de julho de 2010

Malibu Madness

Cara sabe quando a gente chega na praia e reclama: - Meu já tem toda essa galera na água! E da aquela olhada no relógio e percebe que ainda são 7 e pouco da matina, pois é meu caro, essa triste sensação não é exclusividade tua ou minha, é de muita gente.

Peguei esse video emprestado de um blog que gosto muito, do Edinho Leite, do qual coloco hoje o link na lateral para que qualquer um possa acessar lá, vale muito a pena.

Malibu Madness- Sea Movies from http://vimeo.com/apeel on Vimeo.