"Surfar é uma arte e há muitas linhas diferentes para desenhar em uma onda" Kelly Slater







sábado, 30 de outubro de 2010

Enrolando

Nossa, entrei hoje nesta página e vi que passou muito tempo desde meu último texto, no qual fiz críticas ao evento SWU.

Na verdade não tenho tido nem tempo nem muito o que contar, assim, passou todo esse tempo. Porém nada mudou desde em tão, continuo sem ter o que escrever. Na verdade existem vários assuntos, mas nenhum me inspira a escrever um texto.

Essas últimas semanas foram muito longas e o quem mais fiz foi contar as horas para a chegada desse feriado. Assim, amanha após votar, sigo em direção a praia, aproveitar os momentos de folga, com muito surfe, risadas, cerveja e o merecido descanso.

Quem sabe essa viagem rende um texto de verdade, e não essa “enrolação” aqui.

Abraços, e bom feriado!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Uma boa idéia com um bocado de bagunça!



Festivais de rock and roll sempre fizeram parte de minha vida. Sempre que rola um bom show estou lá presente também. Sempre foi assim, desde meus 17 anos. Já coleciono canhotos de ingresso a dar inveja a muita gente.

O Rock sempre correu em minhas veias, e como um bom roqueiro continuo indo atrás das bandas de cabeceira e gritar ao vivo junto com um monte de malucos tão ou mais aficionados do que eu.


Mas, um evento acabou por me chamar atenção, logo comprei o meu ingresso. O tal de SWU.


Parecia um festival bem tranqüilo, não havia nada de grandioso, nenhuma mega banda. Assim, acabei por comprar o 2° dia, para ver o Dave Mathews Band. Para minha infelicidade no dia seguinte foi confirmada pela organização do evento uma das bandas que mais escutei na minha adolescência, o Rage Against The Machine.


Não dava mais, já tinha gasto uma grana no ingresso. Ficou para outra vez (espero)... Mas foi ai que minhas suspeitas começaram. Como confirmar uma banda de tanto peso, depois de quase um mês de vendas de ingresso? O Rage foi a 1° banda de um monte de outras a serem confirmadas depois da venda de ingressos. Desorganização ou malandragem para forçar a galera a comprar mais ingressos?


O tempo passou e o dia do show chegou.


A chegada ao local foi até que tranqüila, tenho que dizer que soltei um belo elogio com a galera, um monte de gente trabalhando e orientando a galera que chegava de carro. Estacionamento organizado, tudo estava maravilhoso, ESTAVA!


O SWU é um festival que propunha uma idéia muito legal, juntar música com cultura, com palestras, com CONSCIÊNCIA social e ambiental! Propor é fácil, fazer é outra história completamente diferente!


Na fila de entrada, carregava em minha mochila os seguintes itens: 2 pacotes de clube social (6 unidades cada) LACRADO, mais 2 pacotes de clube social recheado LACRADO, um pacote de twis LACRADO, uma barra de chocolate LACRADA, e um pacote de bolacha, adivinhe? LACRADA também e 2 blusas.


Na minha concepção, alimento trazido de casa, é uma forma de ajudar o meio ambiente, já que não teria que comprar nenhum alimento cozinhado no local, pouparia energia, gás, economizaria o meio ambiente com mais um pratinho sujo, etc. Para minha surpresa, era PROIBIDA A ENTRADA DE ALIMENTOS NO LOCAL! Que não estava divulgado no site do festival.


Acredite meu amigo, fui obrigado a jogar tudo no LIXO, todo aquele alimento NO LIXO. Antes fosse coletado de forma descente e distribuído para quem não ter o que comer. Ainda há tanta gente passando fome no mundo e tive que jogar muita comida no lixo, por normas de um evento maravilhosamente sustentável ou será melhor, sustentado por patrocinadores absurdamente preocupados com o mundo.


Devo confessar que foi terrível jogar toda aquela comida no lixo. Fiquei P da vida, e não agüentei, soltei o verbo para quem queria e não queria ouvir. Começamos bem né?


Depois disso foi um fiasco atrás do outro. Ilhas de banheiros insuficientes para atender a demanda, comida caríssima e ruim (6 reais um espetinho de carne? Oito reais uma mini-pizza ou uma salsicha no pão, que ainda tinham a cara de pau de chamar de hot-dog?).


Ah, lembrei de uma boa da organização.


Logo na entrada da arena, havia caixas que trocavam dinheiro real por um dinheiro do evento, tipo fichinha, com valores diferentes (1,4,9 reais). O mais legal foi descobrir depois de trocar uma boa quantia de dinheiro pelas tais fichinhas era que apenas as praças de alimentação aceitavam as tais fichinhas, nenhum ambulante ou pontos de cerveja, água e refrigerante aceitavam as tais fichinhas, e ainda cobravam mais caro que o PREÇO OFICIAL do evento!


Mas mesmo assim, o que realmente vale é a música boa, mas ai tem a melhor pérola da organização do SWU.


O terreno onde estavam os palcos, era em declive, o que é excelente para poder ver melhor o show, mas algum gênio teve a grandiosa idéia de montar uma tenda para alguma coisa que não sei, uns disseram que era para as emissoras de TV, bom independente, era bem na frente do palco, que encobria totalmente a visão de quem não estava lá na PISTA PREMIUM ou que estava um pouquinho mais longe.


Resumindo... Não consegui ver nenhum show, apenas com a ajuda do telão.


Os shows foram razoáveis na minha opinião, todos tocaram pouco, porém todos (no meu dia) entraram perfeitamente no horário estipulado, único ponto positivo a organização...


O Dave Mathews Band, mandou muito bem...


O King of Leon fez o show mais burocrático que vi na vida, sem dúvida era a banda que mais conhecia de todas que tocaram, pulei como um louco nas que mais gostava, mas os caras não se deram o trabalho de dar oi e tchau, só descobri que o show tinha acabado por que os telões colocaram o logo do evento, e as luzes do palco se acenderam.


O Sublime agitou a galera...


O Capital Inicial, fez a gente pular pra caramba, principalmente com os clássicos do Aborto Elétrico...


A Joss Stone, foi legalzinho...


O resto, não fez a menor diferença... Sinceramente.


Agora o frio que estava naquele lugar, nunca senti na vida, agora 2 dias depois sobrou um bocado de indignação e um belo resfriado...


Acho que nem devo contar o que foi para ir embora... Ah devo sim... Lembra que no começo desse longo texto escrevi sobre o estacionamento, cheio de gente ajudando, bom eles foram embora, estava uma PUTA ZONA, ninguém sabia para onde ir, sorte a nossa que o carro estava pertinho da mega fila da estrada de terra... 1 hora e pouco depois chegamos a estrada, lá pelas 4 da manha em casa, cansado pra burro, morrendo de frio, com uma incerteza do que foi esse dia na minha vida...


Já estão falando em uma 2° EDIÇÃO do SWU, bom, galera, tem muita coisa para corrigir para ficar razoável...


Para quem tiver curiosidade o site do UOL tem um monte de fotos dos shows, olha lá, saca a sujeira no chão depois dos shows, NÃO TINHA LATÃO DE LIXO SUFICIENTE, NA VERDADE VI 3...


SUSTENTÁVEL???!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Um Sonho!?

Acordo cedo, abro a janela e vejo o sol surgindo de trás da montanha, levanta-se devagar, sem pressa, afinal, o mundo continua a seus pés. De pouco em pouco os raios dourados começam a invadir meu quarto e logo iluminam minha parceira, que esta reluzente, pronta para encontrar-se com seu maior amor.

Inspiro-me no sol, levanto sem pressa, passo pela cozinha, pego uma caneca com chocolate quente, ainda com o cobertor envolvendo meu corpo adormecido. Entre um gole e outro vejo o vapor denso que sai de minha boca misturando-se com a brisa gelada da manhã. O sol está ainda saindo, e através das curvas das montanhas vejo, lá trás, elas, as ondas.

Vejo que ainda paira uma névoa dourada sob o mar, porém as ondas já estão quebrando forte, e sem nenhum vento. As ondas caprichosamente quebram sobre as rochas, que nessa manhã não possuem aquele ar amedrontador de todos os dias, hoje, elas apenas servem como rampas para as ondas subirem e formarem paredes simplesmente perfeitas e tubulares.

Estas águas possuem uma cor azul límpida, quase transparente, mas nessa manhã, quebram douradas, como a estrada mágica de mago.

Acabo meu último gole, coloco minha roupa de borracha, pego minha prancha e desço pelas escadas de madeira, um ruído típico de um degrau solto ecoa, olho para trás e ninguém se incomoda.

Descalço, sigo meu caminho pela grama alta e molhada. O sereno ainda esta presente em todas as folhas, dando um ar ainda mais belo a paisagem. Os campos ou vez de verde escuro possuem um tom esbranquiçado nesta manhã.

Aos poucos a vegetação começa dar espaço aquela areia densa, de textura rugosa e fria, desvio de pedras e piso em conchas quebradas, nada me incomoda, sento na areia por alguns instantes, para apenas apreciar as ondas quebrando sozinhas, levanto-me e vou a direção das pedras, para poder pular lá de cima já atrás das ondas.

O sol esta um pouco mais alto, não faço idéia de que horas são, simplesmente não importa, estou sentado sob meu tapete mágico, apenas admirando, esperando a minha série desembarcar. Logo surgem os rabiscos divinos no horizonte, sei que elas vêm em minha direção, o coração começa a palpitar.

Deito sobre a prancha, e dou algumas poucas remadas, porém, fortes. Logo sinto as gotículas de água salgada batendo sobre meu rosto, estão frias e me fazem sentir vivo. Em um movimento esperto estou de pé deslizando naquela parede agora escura, pela sombra dela mesma. Uma mão desliza rompendo aquela parede, que foi solida.

Acelero. Vejo a frente uma sessão, é lá – penso – e projeto toda a minha força e destreza, acertando uma forte manobra sob o lip que vinha a quebrar, em seguida, uma curva forte, e outra forte manobra. A onda parece gostar, meu coração também.

Saio da onda, e volto novamente ao fundo, a água esta azul, as sombras sumiram.

Outros e mais outros rabiscos se formam consecutivamente, apenas para mim, e assim, por toda a manha surfo. Estou, sou, livre.

Saio do mar, e sigo colina acima, a grama já perdeu a sua coloração branca, já exibe seu forte verde escuro e também não esta mais fria e molhada, esta seca e morna. Chego a velha escada de madeira, encosto minha prancha sob a velha sacada, tiro minha roupa de borracha.

Enrolado com uma toalha sobre meu corpo cansado, saboreio um café quente – na sacada que leva a velha escada de madeira – que parece saber o quanto é gostoso e o quanto trás de calor ao corpo, um calor físico, por que o calor da alma, este ferve.

Fecho as cortinas, mas ainda há uma tênue luz pairando em meu quarto, deito-me e sinto cada parte de meu corpo relaxar, logo durmo.

Acordo de repente, meio assustado, em minha cama, em um domingo qualquer e percebo que chove forte e que o mar não esta perto.

Logo realizo que foi apenas um sonho e me aconchego novamente meio decepcionado, porém logo um pensamento me toma a consciência, este, me tranqüiliza, mas ao mesmo tempo me impede de dormir rapidamente.

O pensamento era de que pelo menos, nesta noite, minha alma surfou como talvez meu corpo nunca surfe. Prontamente tentei induzir minha mente a aquela sensação de paz que sentia no meu sonho, e durmo novamente, com um sorriso no rosto, meio amassado pelo travesseiro da realidade.

sábado, 4 de setembro de 2010

A volta de um campeão.

Ontem tive o prazer de assistir ao vivo incrível retorno de um campeão. Não sei por que, mas essas coisas que, apenas acontecem no esporte, me instigam, me emocionam de verdade.

Ontem, o esporte em questão era o Surf, e o campeão, ou melhor, o tri-campeão era o havaiano Andy Irons, que estava afastado das competições por quase 2 anos e acabou retornando esse ano por um convite da associação de surfe internacional.


Ele sempre foi tido como vilão pela mídia especializada por ter sido o único cara que incomodou o rei dos mares Kelly Slater, e como em todas as histórias de mocinhos e vilões, acabou sobrando para o vilão o rotulo de mau e principalmente de inimigo.


Lembro-me que na época, era totalmente a favor do mocinho, e realmente achava que o vilão era vilão, mas hoje devo dizer que foi manipulado pelas revistas, pelos cronistas e por tudo que saia a respeito do surfe. Principalmente por que Andy é um cara normal, é um de nós, sujeito simples, com problemas e dificuldades, mas acima de tudo, é um sujeito incrível.


Quando Andy se afastou do circuito mundial, fez algo que ninguém esperava, convidou seu rival (Slater) para fazer uma viajem pela indonésia, o que rendeu um filme, chamando “A fly in the champange” que é muito bacana por sinal. E a partir da-li a mídia não teve mais o que escrever sobre eles, afinal, os arqui-rivais tornaram-se amigos.


Esse ano, Andy estava de volta as competições, mas seu surfe estava diferente, mas fraco, menos radical, talvez ele estivesse com menos fome de vitórias, e lógico toda a inteligente mídia do esporte, deu Andy como morto, um EX-TRICAMPEÃO mundial. Palhaçada, eu diria.


Andy foi se alimentando, a cada competição, foi entrando em forma e nesta última etapa com fome de vencer.


Mas Andy mudou, não é mais um garotão havaiano, cheio de ímpeto, Andy além de mais maduro se mostra muito mais humilde, muito mais consciente que esta com 30 e poucos anos e que sua carreira começa a chegar perto de um desfecho (apesar que creio eu que possui muitos anos ainda pela frente).


Em uma entrevista antes de começar o evento de Teahupoo no Taiti, ele comentava sobre seu ano no circuito mundial, quando uma frase me marcou. Ele se referia a possibilidade de ganhar mais uma vez. E ai ele diz algo do gênero: “Queria poder vencer mais uma vez, mais um campeonato e sentir aquela energia, sentir as pessoas gritando por você, o que para mim é o maior elogio de todos, só de pensar que levo algo para as pessoas através do meu surfe, me deixa louco”.


No final dessa entrevista ele tem um olhar diferente, e termina falando que se não conseguisse vencer novamente, estava tudo bem, mas o que o deixava realmente feliz era a possibilidade de estar de volta ao circuito mundial.


Esse olhar diferente me chamou muito a atenção, pareciam transmitir algo através de olhos tristes, pareciam estar escondendo uma fera, um monstro, que na hora me fizeram associar com o último filme de Rocky Balboa, no qual Rocky diz que ainda tinha uma fera dentro dele. Que precisava de mais uma luta, a última.


Engraçado que sei muito bem o que Andy queria dizer. Por que passei por isso a um tempo atrás, quando tentei voltar a remar, mas comigo a vitória não veio. Mas a adrenalina de estar competindo fez acalmar a besta que tenho dentro de mim.


Pois é, para Andy a vitória que ele tanto desejava veio ontem, em Teahupoo, com maestria, vencendo Slater nas semifinais, e com direito a muita alegria de todos que estavam lá assistindo.


A volta de um verdadeiro campeão, que agora mais que nunca consigo reconhecer, e vibrar a cada onda, e não mais torcer contra, como quando mais novo. Força Andy, que essa vitória seja o começo de uma caminhada que possa ser recompensada com um 4° título mundial.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Bom feriado

E ai galera...

Nossa, passou bastante tempo desde meu último texto, mas isso vai acabar, já estou trabalhando num texto, mas ele esta meio complicado, simplesmente por que seu tema é difícil de responder. Mas vira na hora certa. Tenho certeza.

Mas agora a cabeça esta em apenas uma coisa, no FERIADO!!! Apenas uma manhã de trabalho me separam de momentos de liberdade, de surfe, de praia, de cervejas, de risadas, e tantas outras coisas que conseguimos apenas quando nos sentimos livres!!!

Um ótimo feriado a todos!!!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Absurdo da Política Brasileira.

Não sei quanto a vocês mas não consigo ver a menor graça nas campanhas de nossos candidatos ao governo.

Caras como o Tiririca e seu slogan de campanha “com o Tiririca, pior não fica” não me causa graça, me causa desespero. É o retrato de como a política nesse país não é sério, e de qualquer um pode se candidatar a qualquer cargo público.

Segundo as estatísticas das eleições 2010, que pode ser vista no site do jornal “O globo” (http://oglobo.globo.com/blogs/javoto/posts/2010/07/27/estatisticas-eleicoes-2010-grau-de-instrucao-dos-candidatos-311479.asp) temos:

“Apenas cinco candidatos declararam-se analfabetos, e 114 inseriram-se na categoria “lê e escreve” (0,6% do total). Em torno de 10% dos políticos parou no ensino fundamental completo ou incompleto, e outros 28% chegaram ao ensino médio, mas não fizeram nenhum curso superior. Por fim, 10,7% das pessoas que tentarão a eleição em outubro protocolaram que possuíam educação universitária incompleta”.

Ao ler esse tipo de notícia me embrulha o estomago, como um cara que não sabe ler e escrever direito pode trabalhar como deputado federal, por exemplo, que tipo de leis ele poderá discutir, como ele poderá interpretar algo, por que a idéia no Brasil de alfabetizado é do cara saber escrever seu nome e de poder ler-lo, não de ter senso crítico e poder interpretar textos.

Então meu caro Tiririca, com você lá, piora sim, e muito, assim como tantos outros candidatos que estão embarcando nessa de ser político para ver se conseguem ter uma aposentadoria mais farta, ou você realmente acredita que sairá algo bom de um Tiririca, um Netinho (para senador), da Mulher Melão, do Reginaldo Rossi.

Antigamente o principio de que qualquer cidadão poderia representar a população em um governo democrático era perfeito, mas hoje em dia não vejo como a democracia possa ser conduzida dessa forma. Não é qualquer um que pode resolver virar político do nada.

Acredito que deviam ser feitas leis das quais restringissem a candidatura desses caras, afinal, já basta ter que aturar-los no dia-a-dia. Acredito em 2 coisas: ou o fulano tem envolvimento com a Política a muito tempo, ou então que esse no mínimo tenha nível superior completo com algo relativo a política, seja economia, ciências sociais, administração. Sei lá, o que não pode é esse monte de palhaços se candidatando, e o pior é que um monte de gente vai votar nos caras, e eles vão entrar e vão rir de nossas caras de palhaço enquanto enchem o bolso.

Enquanto isso, o povo se diverte com o Tiririca e sua campanha, mas depois... Ai veremos...

Surfe no asfalto.



Os tempos têm andado exigentes comigo, muito trabalho, pouco tempo livre e nada de ondas. A abstinência da água salgada já perdura por 2 semanas, e as previsões nada animadoras deixam ainda mais o coração apertado e a pele ressecada.


Essa abstinência pode ser mais um motivo pelo qual hoje acordei destruído, com febre, muita dor no corpo e uma sinusite devastadora causada ela estiagem que castiga a cidade de São Paulo, que marca menos de 20% de umidade relativa no ar. Tenso.


Mas nem tudo é desespero. Nesses últimos finais de semana tenho trabalhado na Oca, no parque Ibirapuera, representando uma das escolas que trabalho em um estande muito legal (vale a pena conhecer e visitar também a exposição Corpos em Movimento que é sensacional). Mas olhava para o parque e pensava, queria estar livre para aproveitar um pouco isso tudo.


Nesse último domingo, tomei coragem e resolvi arriscar. Acordei cedo para trabalhar e ao tomar meu café da manhã penso comigo mesmo, e se levasse um skate para o parque, será que conseguiria aprender algo? Ou será que me mataria?


Não sei bem o que me deu, mas quando descia a rua de casa para ir ao ponto, o skate estava na mão. Ainda bem que meu amigo que esqueceu a tempos em casa, por que ainda não possuo um. Mas quem sabe.


Quando chego ao Parque, estava na hora da verdade, coloco o skate meio tímido no chão e subo nele ainda meio sem jeito, coração a mil, adrenalina total e medo de me arrebentar. Aos poucos tudo isso vai passando e dando lugar a uma sensação gostosa de prazer. Logo encontro uns declives no Parque, dos quais me imaginei surfando, tentando fazer cavadas no asfalto.


Chega, hora de trabalhar, me dirijo a Oca e 6 horas e meia depois... Saio da Oca e resolvo andar mais um pouco, já estou sem medo, apenas receoso, para não cair e me machucar, afinal, estava sem nenhum tipo de proteção.


Achei uma descida legal, desci e senti a velocidade, vento na cara e também que o eixo do skate com velocidade mexia e desalinhava dando a sensação de andar de lado, a La caranguejo. Medo.


Já vou tomando meu rumo para casa, quando vejo a Av. Brigadeiro Luis Antonio vazia, e não deu outra, skate de novo no chão, e passeio livremente pela pista.


Depois de uma tarde dessas, de quando enfrentamos nossos medos, o que vem depois é uma sensação de liberdade incrível.


A verdade que surfei pela primeira vez na cidade grande, e a sensação é muito boa, não acredito que seja a mesma sensação de surfar nas ondas, mas esse surfe de asfalto me fez bem, e me deu a liberdade que necessitava para tocar a semana, mas quem iria saber, que 2 dias depois acordaria mal e tivesse que ficar “de cama”, vai ver que foi muita emoção... (rsrsrs).